
Há séculos que toda a gente me pede para pôr aqui um pedacinho do meu livro (sim, eu estou "a escrever um livro"), e como ganhei coragem... pronto cá vai. Isto é suposto ser o final do segundo capítulo:
"Tentei afastar-me daquele local sombrio e gelado e fugi para um tempo melhor, longínquo, sem monstros nem receios... um recanto seguro da minha memória que só visitava quando estava só e assustada.
O sol queimava-me a pele, sentia as gotas de água a desaparecerem nas minhas pernas. No ar pairava o cheiro a maresia e ouviam-se as ondas a embaterem nas rochas e o riso de vozes desconhecidas. Um murmúrio alergre e calmante que me fazia desejar ficar ali para sempre. Passei as mãos pela areia quente e macia que se moldava ao meu pequeno corpo molhado.
- Rita, vamos dar uma volta.
A voz suave fez-me sorrir. Reconhecia aquele sussurro em qualquer parte do mundo...
Uns lábios quentes pousaram na minha testa e eu abri os olhos. A luz rodeáva-a como uma auréola, criando madeixas ruivas no seu cabelo comprido. Os grandes olhos castanhos fitavam-me com ternura, mas foi o sorriso que me fez levantar. Seria capaz de tudo por aquele sorriso...
A minha mão encaixava na dela como por magia, apesar da diferença de tamanho. Caminhámos as duas em silêncio, escutando as ondas e eu seguia as pegadas que ela deixava na areia, do dobro do tamanho das minhas. O balde vermelho balançava na minha mão e as conchas que coleccionara chocalavam lá dentro.
- Não adoras a praia Rita? Não a achas bonita? - disse, agachada, para que os seus olhos se pudessem fixar nos meus.
- Sim mãe... adoro.
E adorava. Adorava a praia, o mar e a areia.
E adorava-a a ela...
Antes de tudo desaparecer."
"Tentei afastar-me daquele local sombrio e gelado e fugi para um tempo melhor, longínquo, sem monstros nem receios... um recanto seguro da minha memória que só visitava quando estava só e assustada.
O sol queimava-me a pele, sentia as gotas de água a desaparecerem nas minhas pernas. No ar pairava o cheiro a maresia e ouviam-se as ondas a embaterem nas rochas e o riso de vozes desconhecidas. Um murmúrio alergre e calmante que me fazia desejar ficar ali para sempre. Passei as mãos pela areia quente e macia que se moldava ao meu pequeno corpo molhado.
- Rita, vamos dar uma volta.
A voz suave fez-me sorrir. Reconhecia aquele sussurro em qualquer parte do mundo...
Uns lábios quentes pousaram na minha testa e eu abri os olhos. A luz rodeáva-a como uma auréola, criando madeixas ruivas no seu cabelo comprido. Os grandes olhos castanhos fitavam-me com ternura, mas foi o sorriso que me fez levantar. Seria capaz de tudo por aquele sorriso...
A minha mão encaixava na dela como por magia, apesar da diferença de tamanho. Caminhámos as duas em silêncio, escutando as ondas e eu seguia as pegadas que ela deixava na areia, do dobro do tamanho das minhas. O balde vermelho balançava na minha mão e as conchas que coleccionara chocalavam lá dentro.
- Não adoras a praia Rita? Não a achas bonita? - disse, agachada, para que os seus olhos se pudessem fixar nos meus.
- Sim mãe... adoro.
E adorava. Adorava a praia, o mar e a areia.
E adorava-a a ela...
Antes de tudo desaparecer."

